Sobre
A música deste cantador, pode-se afirmar, vem da natureza, da vivência do sertanejo, do sangue, do suor derramado, das lembranças de quando criança ouvindo o som da gaita de boca entoada por seu tio Pequeno de Uláia e a sanfona pé-de-bode, divinamente dedilhada pelo seu avô Xavier, no pé da serra do capim.
Decada de 70
Foi no colégio Estadual de Petrolina, que conheceu e passou a conviver com grandes amigos ligados a arte (teatro e música) que o influenciaram a seguir esta trilha, entre eles o grupo de jovens (Mojoab) liderado por Geraldo Sobreira.
Entre os anos de 1973 até 1975, formou juntamente com colegas do Colégio, Feliciano “Licinho”, Linduarte, Benedito, Mauricio “Deca”, Qui-qui-qui o grupo chamado Esporta Samba, que era focado nos hits da época, como o Carimbó e Lambada, onde faziam apresentações na Concha Acústica, nos programas dominicais apresentados por Josemar Coelho e animavam festas, principalmente nos clubes Petrolina Clube e 21 de Setembro, além de apresentações em outras cidades circunvizinhas.
Nesta época, já compunha alguns trabalhos, tanto sozinho que é a maior especialidade, como também em parceria com o pessoal do grupo e seu grande amigo Wilson Almeida. Depois vieram outros, a exemplo de Aldy Carvalho, hoje seu mais constante parceiro.
Depois vem o serviço militar obrigatório, onde gradua-se como Cabo, período em que, por circunstâncias alheias a sua vontade, afasta-se temporariamente da música.
Sofre um acidente automobilístico, tendo que ir fazer tratamento médico em SP, onde permaneceu por algum tempo e, paralelamente conheceu e passou a conviver com grandes músicos, a exemplo de J. Pequeno e Jean Garfunkel.
Década de 80
Em um dos diversos encontros com Geraldo Azevedo, apresentou ao mesmo uma letra da música Malaksuma, que havia gravada (apenas a melodia) para fazer parte da trilha sonora da novela Saramandaia da rede globo, recebendo deste o maior apoio e o incentivo de dar continuidade a carreira.
Daí então passou basicamente a viver nos bastidores em Recife, mostrando a um e outro o seu trabalho, oportunidade em que conheceu e conviveu com grandes músicos.
A convite do músico e amigo João Neto participou da gravação de algumas músicas para o carnaval, onde, após a gravação em fita cassete, estas eram levadas as rádios e eram compradas cartelas de fichas telefônicas e ficavam ligando para as rádios pedindo que tocassem as músicas, pois esta era a única forma que achavam de que alguém ouvisse o trabalho.
Década de 90
No final desta década, (ano 1998) passou a trabalhar como representante comercial e a residir em Teresina, oportunidade em que a pedido de vários amigos e familiares, leva em frente sua carreira, já que era uma coisa que gostava de fazer.
Retornando o ritmo de gravações, concluindo no ano 2000 o CD intitulado Anauê, um apanhado de músicas antológicas, onde se destacaram as músicas, Tavinho, No moinho do engenho, anauê, malaksuma e Pequeno de Uláia, que lhe serviram como base para continuar a jornada.
No ano de 2004, já mais estruturado, lançou o CD Quintais, onde obteve junto ao público uma excelente aceitação, tendo inclusive a oportunidade de participar de grandes projetos como o Boca da Noite, Emcanta Piauí, Santo de Casa, Cidade arteira, MPB na Calçada, Feira Popular de Arte, até o seis e meia ao lado da cantora Tânia Alves, além da música título vir a fazer parte da coletânea Festivais do Brasil Vol.3, lançada a nível nacional e também distribuída para outros países.
Assim escreveu o seu amigo Luiz Carlos Heiztzmann “Magoo” no encarte do CD Quintais: “Uma música e muitas lembranças da terra e dos quintais onde os meninos e meninas brincaram o quintal sem fim chamado Brasil. Humberto Barbosa resgata esta atmosfera de poesia e sonho com uma música a um só tempo fincada como raiz nestas terras e voltada para o mundão afora a ser descoberto. Seja bem vindo ao nosso quintal”.
Também o site Lado de Dentro, disse: “Resgatando uma atmosfera de poesia e sonho, Humberto Barbosa finca como raiz no quintal da sensibilidade, este trabalho com cheiro de terra molhada, saudade e brasilidade”.
Daí não quis mais parar. Foram várias apresentações, tanto em Teresina, quanto em outras cidades de outros Estados.
Veio também à participação em vários festivais a nível nacional, a exemplo do Festival Chapadão em Teresina – PI no ano de 2004, Festival de Inverno de Queluz – SP, nos anos de 2005 e 2007, Festival da Primavera em Petrolina – PE nos anos de 2006 e 2008 e Festival FORRAÇO em Natal 0 RN em 2010, até a vibrante CARAVANA SERTÃO DE DENTRO, que percorreu diversas cidades do Estado.
Ainda em 2007, começou a produção de um novo trabalho, sob a regência do maestro Paulo Aquino, que consegue levar melodia a caminhos insuspeitos, cuja produção e direção ficaram a seu cargo, pela competência e dedicação em cuidar de todos os detalhes, para que não perdesse o brilho, nem um detalhe sequer, daquilo que foi criado.
São treze faixas, onde podemos enumerar desde os primeiros passos percorridos em busca de pesquisas que remetem ao período de desbravamento e colonização do Estado do Piauí, que culminava com as caravanas advindas de outros Estados, como Bahia, Pernambuco e Ceará, introduzindo-se no sertão, denominadas de “Sertão de Dentro”, culminando com a necessidade de refazer este percurso, de forma musical e poética, onde, tendo como objetivos, resgatar a cultura e concretizar a realização de um sonho do reconhecimento.
A busca da trajetória, bem marcante nos trechos de Labirinto (...qual caminho levará?...), a certeza do querer mostra a determinação e a perseverança encontradas em Claridade (...o que se procura longe, está tão perto...), Tudo querer (...olho no espelho a mostrar o futuro...) e Marca Ferrada (...me leva pro sertão, de volta prá minha aldeia...), além da própria viagem, mostrando o caminho, seus obstáculos e suas belezas, presentes em Beradeiro Cantador (...me botei pelas estradas...prá vencer as correntezas e os percalços do caminho...), Arte Belo Ser (...por entre cores viajei, no horizonte ir buscar...), É só saudade (...mostrando a direção e o caminho a seguir...), até o objetivo alcançado celebrado em trechos de Três Marias (...sempre vem pela manhã, um sorriso e esperança...), Máquina do Tempo (...num instante a poeira da sombra levanta, fazendo um sinal da manhã clareada...), Números (...nove meses nova vida...treze de maio liberdade...) e Sob o Céu de Teresina (...sou feliz sob o céu de Teresina...).
Além da parceria sempre constante de Aldy Carvalho em Beradeiro Cantador, uma música feita por James Brito, Reggae xoteado na qual juntamos nossas vozes, a também participação de grandes nomes da música piauiense, a exemplo de Vanda Queiroz e Soraya Castello Branco em Sob o Céu de Teresina, uma homenagem a terra adotada e Geraldo Azevedo, grande nome da música brasileira, parceiro em alguns trabalhos, tem participação especial na música Arte Belo Ser, uma homenagem ao pintor e escultor Celestino Gomes.
Por ocasião do lançamento deste novo trabalho, foi selecionado mais uma vez para fazer parte do projeto Seis e Meia, desta vez com Marcio Greyck.
Um repertório mesclado de xotes e baiões há também um Humberto Barbosa mais romântico, mais introspectivo, que entusiasma tanto quanto nas músicas mais balançadas.
E, de onde partem cantorias nordestinas e visões integrais da vida brasileira; não se teme viver o futuro que havia traçado em linhas tortas.